17 outubro 2014

Boas Práticas nas Aplicações de Defensivos Agrícolas


Boas Práticas nas Pulverizações Agrícolas

Adequação dos pulverizadores e dos procedimentos operacionais de acordo com as normas internacionais do protocolo GlobalGAP (Boas Práticas Agrícolas).


Manoel Ibrain Lobo Junior
Engenheiro Agrônomo
Consultor em Tecnologia de Aplicação
Auditor GlobalGAP IFA
lobo@pulverizador.com.br


Introdução

Sempre que o valor econômico da cultura esteja em risco devido ao ataque das plantas daninhas, insetos ou doenças fúngicas, será necessário a intervenção específica sobre esses fatores limitantes da produtividade, o que implicará no uso dos agroquímicos.

Através da implantação de normas e procedimentos operacionais baseados nos princípios de “Boas Práticas nas Pulverizações” será perfeitamente possível garantir que estes produtos químicos sejam transportados, manuseados, armazenados e utilizados da forma mais adequada e segura possível.



Pulverizador autopropelido John Deere 4730 regulado e calibrado para aplicar defensivos agrícolas em baixos volumes (< 50 litros/ha) com total controle da deriva, durante treinamento prático em tecnologia de aplicação de agroquímicos para a competente equipe técnica da conceituada empresa Sementes Adriana (Rondonópolis, Estado do Mato Grosso).



Aeronave agrícola Air Tractor 402 regulada e calibrada para aplicar defensivos agrícolas em baixo volume (< 10 litros/ha) com total controle da deriva, durante treinamento em tecnologia de aplicação aérea para a competente equipe técnica da conceituada empresa Sementes Adriana (Rondonópolis, Estado do Mato Grosso).


Dentre os muitos benefícios da implantação das “Boas Práticas nas Pulverizações” merecem destaque:
  • Respeito às legislações nacional e internacional;
  • Manutenção da confiança do consumidor na qualidade e segurança do alimento;
  • Minimização dos impactos negativos no meio ambiente, conservando a natureza e a vida selvagem;
  • Uso correto e seguro dos agroquímicos;
  • Aumento da eficiência do uso de recursos naturais;
  • Responsabilidade com a saúde e segurança do trabalhador;
  • Adequação das instalações (galpões, packing houses, etc);
  • Treinamento e capacitação de todos os funcionários e demais envolvidos no processo produtivo;
  • Criação de documentos de controle das etapas do processo produtivo.

As boas práticas aplicadas em todas as etapas do controle químico estarão beneficiando o meio ambiente, bem como a diversidade da flora e da fauna, uma vez que estes não se podem dissociar da agricultura.


Procedimentos Técnico-Operacionais para Aplicações de Defensivos Agrícolas com Qualidade Total.

Avaliação, Regulagem, Calibração e Monitoramento das Pulverizações.

Antes do início dos trabalhos de aplicação, durante os trabalhos e após os trabalhos de aplicação de agroquímicos, alguns cuidados são necessários para garantir a segurança e a eficiência do controle químico das doenças, insetos e plantas invasoras nas culturas:
  • Treinamento do operador e da equipe de apoio (preparo da calda) para a correta realização dos trabalhos de aplicação;
  • Escolha dos agroquímicos a serem aplicados;
  • Avaliação, regulagem e calibração dos pulverizadores;
  • Monitoramento das aplicações e da eficiência do efeito biológico sobre o alvo;
  • Descontaminação dos pulverizadores após o término das operações.

Dentre os maiores fatores limitantes de produtividade nas culturas comerciais no Brasil, os problemas fitossanitários sempre mereceram destaque, sendo responsáveis nas últimas safras por índices extremamente elevados de perdas (médias): 

a) Plantas Invasoras: 47%;
b) Insetos: 38%;
c) Doenças Fúngicas e Bacterianas: 56%.

Além da correta escolha dos agroquímicos (tipo, classe, formulação, dentre outras), as maneiras pelas quais os produtores estarão efetivamente reduzindo as perdas na produtividade pelos problemas fitossanitários serão através dos trabalhos de avaliações, regulagens, calibrações e dos monitoramentos das aplicações dos agroquímicos nas diversas culturas comerciais.

Resumidamente, essas etapas podem ser descritas:

Avaliação dos Pulverizadores: As avaliações consistem no trabalho de verificar o “estado” dos componentes (qualidade e quantidade) que fazem parte dos sistemas de pulverização: mangueiras, corpo de bicos, manômetros, abraçadeiras, conectores, filtros, válvulas, registros, dentre outros. Durante o trabalho de avaliação são identificados os componentes que apresentam defeitos e são feitas posteriormente recomendações de manutenção, consertos ou trocas.



Profissionais da Usina Coruripe Unidade Carneirinho (Carneirinho MG) realizando a avaliação dos componentes das barras de pulverização do pulverizador autopropelido Uniport 2000, durante treinamento prático em tecnologia de aplicação de herbicidas na cultura da cana-de-açúcar.


Regulagem: É a correta formatação dos componentes do equipamento de aplicação, levando-se em consideração as características do alvo biológico nas culturas (forma de alimentação, localização, etc), o estágio fisiológico das culturas (índice de massa foliar), as condições meteorológicas dos locais da aplicação (temperatura, umidade, rajadas de vento, etc) e as características dos defensivos agrícolas a serem utilizados. Exemplo: Ajuste da velocidade operacional, tipos de pontas de pulverização, tamanhos de gotas, espaçamento entre bicos, altura da barra, dentre outras.



Profissionais da empresa Destilaria Pyles (Assis/Platina - São Paulo) instalando bicos (pontas) de pulverização no pulverizador de arrasto Cruzador 3000 Jacto, objetivando a realização de testes de deposição de gotas em papeis sensíveis à água, durante treinamento prático em tecnologia de aplicação realizado em parceria com a conceituada empresa Dow AgroSciences.


Nas fotos abaixo os profissionais das conceituadas empresas Unapel New Holland / Cerrado Case e Comercial Agrícola São Gotardo (CASG - São Gotardo - MG) realizando a avaliação da velocidade operacional, vazão das pontas de pulverização e volume de aplicação do pulverizador autopropelido Patriot 350 Case, durante treinamento prático em tecnologia de aplicação nas culturas do alho e da cenoura.






Calibração: É a verificação da vazão das pontas de pulverização, determinação do volume de aplicação e a quantidade do agroquímico a ser colocado no tanque do pulverizador.

Fotos abaixo, profissionais da empresa ETH UCP Odebrecht (Teodoro Sampaio - São Paulo) realizando as avaliações da pressão de trabalho e das vazões das pontas de pulverização instaladas nas seções da barra de pulverização utilizando um kit manômetro de bicos e um medidor eletrônico (fluxômetro), durante treinamento prático em tecnologia de aplicação de herbicidas na cultura da cana-de-açúcar.





Monitoramento: Levando-se em consideração que uma das principais causas da ocorrência de falhas nas aplicações de agroquímicos é o “desconhecimento do sistema de aplicação pelos operadores”, o trabalho de monitoramento periódico das pulverizações é extremamente necessário, pois objetiva a continuidade do padrão de qualidade estabelecido após as etapas anteriores.

Fotos abaixo, o monitoramento da aplicação de agroquímicos realizada pelo pulverizador tratorizado de arrasto K.O. 2000 litros, equipado com bicos (pontas) de pulverização KGF RDA 11001 (venturi - sistema de indução de ar), aplicando o volume de calda de 70 litros/ha, na velocidade operacional de 6,5 km/h (Três Corações - Minas Gerais).



  



Implementação das Boas Práticas nas Pulverizações

Representam benefícios inegáveis os resultados das aplicações de agroquímicos sobre a produção de alimentos (FAO), garantindo maior estabilidade na disponibilidade e algumas características de qualidade.  Entretanto, são grandes os riscos de ocorrência de possíveis problemas ocasionados por estes produtos, para a saúde humana e para o meio ambiente, caso o manuseio e a aplicação destes produtos sejam realizadas de forma inadequada.

A adoção de sistemas de aplicação de agroquímicos adequados às normas internacionais do protocolo GlobalGAP (Good Agricultural Practices Certification) e a contínua capacitação de toda a equipe de trabalho nos procedimentos operacionais de higiene e segurança (EPI, preparo da calda, descontaminação dos pulverizadores, etc) tem por objetivo básico assegurar a proteção integral do meio ambiente e de toda a equipe operacional, durante a execução dos serviços de pulverização.

São muitos os fatores de risco durante todas as etapas de aplicação dos agroquímicos: 

1) Aquisição dos Agroquímicos;
2) Transporte;
3) Armazenamento;
4) Equipamentos;
5) Preparo da Calda; 
6) Aplicação;
7) Descarte de Embalagens;
8) Descontaminação dos equipamentos de aplicação.
  

1) Aquisição dos Agroquímicos

Após a constatação da infestação das pragas, doenças e plantas invasoras na cultura, escolher o produto adequado para o controle químico. Na escolha do agroquímico mais adequado deve-se considerar se:
  • A incidência da doença ou praga justifica o uso de agroquímico;
  • A formulação do produto permite o uso no pulverizador ou outra máquina disponível;
  • Há possibilidade de se escolher um produto menos tóxico;
  • O uso de agroquímico não trará desequilíbrio na cultura;
  • Qual o intervalo mínimo entre a aplicação e a colheita;
  • O agroquímico é recomendado para aquela praga, doença ou erva daninha;
  • No caso do uso de dois produtos se são compatíveis.
  
2) Transporte dos Agroquímicos

Medidas de prevenção e segurança são necessárias durante o transporte dos agroquímicos objetivando diminuir os riscos de acidentes. Seguem alguns procedimentos básicos para o transporte de produtos fitossanitários:
  • As embalagens devem estar organizadas de forma segura no veículo e cobertas por uma lona impermeável, presa à carroceria;
  • Nunca transporte embalagens danificadas ou com vazamentos;
  • É proibido o transporte de produtos fitossanitários dentro das cabines ou na carroceria, quando esta transportar pessoas, animais, alimentos, rações ou medicamentos;
  • O transporte de produtos fitossanitários deve ser feito sempre com a nota fiscal do produto e o envelope de transporte;
  • O transportador deverá receber do expedidor (revendedor) as informações sobre o produto, o envelope para transporte e a ficha de emergência para transporte;
  • O Motorista deve ter habilitação especial (curso MOPP);
  • O Veículo deverá portar rótulos de riscos e painéis de segurança;
  • Kit de emergência contendo EPI - Equipamentos de proteção individual para motorista e ajudante, cones, fita zebrada, batoques, placas de sinalização, lanterna, pá, ferramentas etc. Também fica dispensada a exigência de limitações quanto ao itinerário.

3) Armazenamento dos Agroquímicos

Um local de armazenamento de agroquímicos organizado, limpo, padronizado, seguro e com funcionários treinados e conscientizados, leva a uma maior eficiência no manuseio dos agroquímicos e, consequentemente, maior qualidade nas atividades diárias e menores riscos de contaminação da equipe operacional e do meio ambiente.
  • O local de armazenamento dos agroquímicos deve estar construído de forma a cumprir a legislação em vigor a nível nacional, regional e local.
  • Deve ser estruturalmente firme e robusto. 
  • Deve estar construído de forma a que possa ser fechado à chave. 
  • Deve estar construído ou localizado de forma a proteger os produtos de temperaturas extremas. 
  • Deve construído com materiais resistentes ao fogo. 
  • Os agroquímicos devem ser armazenados em local com boa ventilação, livre de inundações e distante de residências, instalações para animais ou de locais onde se armazenam alimentos ou rações. 
  • Dispor de ventilação suficiente e constante com ar fresco para que não se acumulem vapores prejudiciais. 
  • Estar localizado num local separado e independente de outros materiais. 
  • Estar equipado com prateleiras feitas com materiais não absorventes para o caso de derrames (ex.: plástico rígido). 
  • Possuir tanques ou muros de retenção com capacidade de reter 110% do volume do depósito maior, assegurando que não ocorra qualquer derrame, infiltração ou contaminação. 
  • Os produtos devem ser devidamente agrupados em prateleiras, por classe de princípio ativo e toxicológica dentro da classe, nunca devem estar em contato direto com o piso e sempre apresentar os rótulos intactos.

4) Equipamentos e Tecnologia de Aplicação

Durante os trabalhos de controle químico, muitos fatores estarão interferindo nesse padrão de qualidade estabelecido pela correta formatação das pontas e pelo controle de tamanhos de gotas, como, por exemplo, as mudanças bruscas na velocidade operacional, a instabilidade das barras devido aos problemas com terrenos adversos, os entupimentos das pontas e bicos devido ao incorreto preparo da calda, dentre muitos outros problemas. Estimasse que no Brasil em média as perdas por evaporação e deriva nas pulverizações estão entre 30% a 40% do total aplicado pelos médios e pequenos produtores.

Foto abaixo: Pulverizador autopropelido aplicando herbicidas em altas velocidades, em altos volumes (> 150 litros/ha), em altas pressões operacionais, produzindo grande quantidade de gotas com classificação de tamanhos "Finas para Muito Finas", muito suscetíveis às perdas pela deriva e evaporação.




Nas fotos abaixo, exemplos de perdas por gotejamento que podem chegar a 10% do total a ser aplicado e pelo derrame da calda pela espuma, durante o preparo-reabastecimento, que podem chegar até 30% de perdas, do total a ser aplicado.






Na foto abaixo, um exemplo de obstrução do bico (ponta) de pulverização pela falta de limpeza, após as aplicações de agroquímicos nas formulações PM, WG, etc. Um bico obstruído poderá causar uma falha na faixa de aplicação de 10 a 15 cm, sem deposição de gotas sobre os alvos. Essa falha em 100 hectares aplicados, corresponde a uma área de 70 metros quadrados na cultura sem tratamento pelo agroquímico.




Avaliação dos Equipamentos de Aplicação:
  • Verificar a limpeza dos filtros (filtro principal, filtro de linha e filtro dos bicos);
  • Verificar se as mangueiras não estão furadas ou dobradas;
  • Verificar se o regulador de pressão está funcionando corretamente;
  • Verificar se as pontas são da mesma vazão e se não estão desgastadas ou obstruídas;
  • Verificar o funcionamento do manômetro e componentes;
  • Verificar o estado geral das barras de pulverização. 

Aplicações Práticas: Basicamente, para conseguirmos realizar a correta regulagem e a calibração dos pulverizadores, devemos estabelecer primeiramente uma velocidade operacional mais satisfatória para a condição do terreno da área de aplicação.

Para conhecermos a velocidade utilizamos a seguinte fórmula:

V = 180 / T

onde:

V = Velocidade operacional (Km/h)
180 = Constante da fórmula
T = Tempo do trator (c/ pulverizador) cronometrado em 50 metros, na marcha e velocidade específicas objetivando conseguir 540 RPM na tomada de força (sempre seguir a tabela do trator).

Uma vez estabelecida essa velocidade operacional e conhecendo-se os espaçamentos entre os bicos, que poderão ser de 35 cm, 40 cm e 50 cm, é possível calcular a vazão das pontas que possibilitarão aplicar o volume desejado através da seguinte fórmula:

Q (litros/minuto) = V (km/h) X E (cm) X A (litros/ha) / 60.000

onde:

Q = Vazão da ponta de pulverização (L/min)
V = Velocidade operacional (Km/h)
E = Espaçamento entre bicos (cm)
A = Volume de aplicação (Litros/hectare)
60.000 = Constante da fórmula

Após o cálculo para "descobrir" a vazão (Q) de cada ponta de pulverização que está instalada na barra do pulverizador, deve-se consultar as tabelas de bicos dos fabricantes para selecionar a ponta correta para a aplicação específica.

Por exemplo, na formatação de um pulverizador tratorizado para as aplicações de herbicidas, no volume de calda de 100 litros/ha, com espaçamento entre bicos de 50 cm, operando na velocidade de 7 km/h, seria necessário escolher uma ponta de pulverização, preferencialmente com indução de ar (sistema venturi), na vazão nominal de 0,58 litros/minuto, conforme cálculo abaixo:

Q = 7 x 50 x 100 / 60.000 = 0,58 litros/minuto/bico.

Na tabela abaixo, é possível visualizar a vazão de 0,59 litros/min na pressão de 3 bar, da ponta RDA 110015, como também as vazões próximas das pontas RDA 11001 (0,50) e RDA 11002 (0,45). A escolha mais correta, levando-se em consideração que as pontas venturi (primeira geração) produzem gotas grossas aeradas, seria pela ponta RDA 110015, pois a RDA 11001 estaria produzindo gotas muitos finas, em função da alta pressão e a RDA 11002 estaria produzindo gotas extremamente grossas, em função da baixa pressão operacional.




Ponta de Pulverização com Indução de Ar (Venturi) KGF RDA 11002


Seleção de Pontas de Pulverização

Atualmente, existem no mercado brasileiro, como também em muitos outros países, diferentes modelos de pontas de pulverização, sendo as pontas de jato tipo plano as mais comumente utilizadas nas aplicações terrestres. 

Dentre todos os tipos de pontas, merecem destaque as pontas de pulverização venturi, projetadas com sistema de indução de ar. A característica dessas pontas é a produção de gotas com classificação de tamanho “grossas e muito grossas”.

Nas fotos abaixo, profissionais das conceituadas empresas Fazenda Itamarati - Grupo André Maggi (Sapezal - Mato Grosso) e Bayer CropScience, realizando a avaliação visual da qualidade dos componentes das barras e a instalação de bicos (pontas) de pulverização durante treinamento prático em tecnologia de aplicação de agroquímicos.







O sistema venturi dessas pontas possibilita a “mistura” do líquido com o ar, produzindo gotas aeradas, com excelente redução da deriva nas pulverizações. Essas pontas de pulverização venturi, desde que corretamente selecionadas, possibilitam aplicações de agroquímicos em baixos volumes (< 50 litros/ha), em situações adversas com rajadas de vento de até 30 km/h.

As pontas com indução de ar (venturi) são encontradas no mercado com jatos simples e duplos, porém é importante mencionar que um modelo de ponta pode ser fabricada com dois tipos de jatos de pulverização (simples e duplo) com a mesma vazão para uma mesma pressão operacional, mas os tamanhos de gotas produzidas serão diferentes devido à maior quebra das gotas pelos jatos duplos com orifícios elípticos menores.


Ponta de Pulverização com Indução de Ar (Venturi) KGF RDAD (Jato Plano Duplo)


Por exemplo, uma ponta venturi com jato simples na vazão 03 “azul” (0,3 GPM “Galões por Minuto”, com uma pressão de 2,8 Bar ou 40 PSI), aplicando 150 litros por hectare, estará produzindo gotas maiores que uma ponta venturi jato duplo, aplicando nas mesmas condições operacionais, porém com dois orifícios de vazão 015 (0,15 GPM).

Esse tipo de projeto de jato plano duplo venturi possibilita uma melhor distribuição de gotas sobre os alvos (pois “passa” duas vezes sobre o mesmo alvo) e maior penetração em culturas adensadas, em função das gotas menores produzidas e também pelo ângulo entre os jatos (60 graus) com excelente redução de perdas por deriva e evaporação.


5) Preparo da Calda de Agroquímicos

Dentre todas as etapas durante o processo de aplicação de agroquímicos, o preparo da calda é considerado uma das mais importantes, pois é determinante e diretamente responsável pela maior qualidade e melhor eficiência da solução química a ser aplicada. Estima-se que as perdas no Brasil durante o preparo da calda estão na ordem de 30% do total dos agroquímicos aplicados nas culturas comerciais.

De uma forma geral, para a maioria das formulações, realiza-se a adição direta do produto no tanque de pulverização através de indutores de agroquímicos ou através de pré-diluição. Nesse segundo caso são utilizados tanques de pré-mistura de agroquímicos, equipados com filtros de alta vazão, objetivando garantir a maior qualidade da calda, maior homogeneização entre os produtos, com menores riscos de entupimento dos bicos.

Fotos abaixo: Equipe de apoio e estrutura de reabastecimento das aeronaves agrícolas Air Tractor 502 utilizadas pela competente e capacitada equipe técnica da conceituada empresa GLOBO AVIAÇÃO AGRÍCOLA, durante treinamento técnico e monitoramento das aplicações aéreas de agroquímicos nas áreas de soja da conceituada empresa Agrinvest Brasil S.A. - Ridgefield Capital, em Balsas (Maranhão).







Durante o processo do preparo da calda alguns cuidados são fundamentais, tais como:
  • Utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) em todas as etapas da preparação da calda de agroquímicos;
  • Utilizar água limpa nas pulverizações ou sistemas de filtragem (qualidade física) e produtos condicionadores (qualidade química) que possibilitem garantir a maior qualidade da calda e melhor solubilidade dos agroquímicos. 
  • Preparar a calda de agroquímicos em local fresco e ventilado, sempre realizando as operações de preparo e reabastecimento em cima de lonas impermeáveis (com bordas infláveis), protegendo o solo de eventuais derramamentos de calda, evitando a contaminação;
  • As instruções presentes nos rótulos do produto devem ser seguidas corretamente;
  • Durante o preparo da calda, evitar inalação, respingo e contato com os produtos;
  • Nunca beber, comer ou fumar durante o manuseio dos agroquímicos;
  • A embalagem deverá ser aberta com cuidado para evitar derramamento do produto;
  • Fazer a lavagem das embalagens vazias (Tríplice) logo após o esvaziamento das mesmas, longe de locais que possam ser contaminados e causem riscos à saúde das pessoas.

6) Aplicação dos Agroquímicos

Durante as aplicações:
  • Aplicar os agroquímicos nas horas mais frescas do dia;
  • Pessoas que não estiverem com EPI devem ficar afastadas para prevenir contaminações;
  • Manter a velocidade sempre constante do trator (com o pulverizador) durante as aplicações;
  • Durante a recarga da calda de agroquímicos, verificar se existem bicos entupidos ou vazamentos no equipamento;
  • Nunca aplicar em situações de vento muito forte, evitando contaminar lavouras vizinhas e áreas sensíveis próximas da área de aplicação.

7) Descarte de Embalagens

Pela legislação em vigor, torna-se obrigatório o recolhimento das embalagens vazias por uma unidade de recebimento autorizada pelos órgãos ambientais. Antes do recolhimento é obrigatório que o agricultor efetue a tríplice lavagem inutilizando-os com furos nos tipos de embalagens que permitirem esta prática, enquanto, as embalagens não laváveis devem permanecer intactas, adequadamente tampadas e sem vazamentos. 

As embalagens vazias devem ser acondicionadas em saco plástico padronizado que deve ser fornecido pelo revendedor. Dentro do prazo de até 1 ano, essas embalagens deverão ser entregues em um posto de recebimento cadastrado. O agricultor deverá receber um comprovante de entrega que deve ser guardado com a nota fiscal do produto. Caberá ao fabricante ou seu representante legal providenciar o recolhimento de todo o material depositado no posto de recebimento.


8) Descontaminação dos Equipamentos e o Destino Final de Sobras e Resíduos de Agroquímicos

A aplicação de um produto fitossanitário deve ser planejada de modo a evitar desperdícios e sobras. Para isto, é necessário calcular de maneira precisa a correta dose a ser aplicada em função da área a ser tratada.

O que fazer com a sobra da calda no tanque do pulverizador?
  • Volume da calda deve ser calculado adequadamente para evitar grandes sobras no final de uma jornada de trabalho;
  • Pequeno volume de calda que sobrar no tanque do pulverizador deve ser diluído em água e aplicado nas bordaduras da área tratada ou nos carreadores;
  • Se o produto que estiver sendo aplicado for um herbicida o repasse em áreas tratadas poderá causar fitotoxicidade e deve ser evitado;
  • Nunca jogue sobras ou restos de produtos em rios, lagos ou demais coleções de água.
O que fazer com a sobra do produto concentrado?
  • O produto concentrado deve ser mantido em sua embalagem original;
  • Certifique-se de que a embalagem está fechada adequadamente;
  • Armazene a embalagem em local seguro.

A descontaminação dos equipamentos de aplicação

A manutenção e a limpeza dos pulverizadores devem ser realizadas ao final de cada dia de trabalho ou a cada recarga com outro tipo de produto, tomando os seguintes cuidados:

  • Utilizar os EPIs recomendados para cada operação específica;
  • Após o uso, certificar de que toda a calda do produto foi aplicada no local recomendado;
  • Junto com a água de limpeza, colocar detergentes ou outros produtos recomendados pelos fabricantes;
  • Repetir o processo de lavagem com água e com o detergente por no mínimo, mais duas vezes;
  • Desmontar os componentes dos corpos de bicos (válvula anti-gotejo, capas, filtros e pontas), colocando-os em um balde com água;
  • Limpar também o reservatório de agroquímicos;
  • Verificar se há vazamento na bomba, nas conexões, nas mangueiras, registros e bicos, dentre outros componentes do sistema de pulverização.


Informações Profissionais:

Manoel Ibrain Lobo Jr .'. é Engenheiro Agrônomo, consultor em tecnologia de aplicação de agroquímicos, ministrando cursos, treinamentos, palestras e realizando avaliações de pulverizadores autopropelidos, pulverizadores tratorizados, turbo-atomizadores e bicos de pulverização para revendas agropecuárias, cooperativas agrícolas, usinas de cana-de-açúcar e outras empresas da área agrícola.

Acesse: www.scribd.com/pulverizador

http://www.linkedin.com/pub/manoel-ibrain-lobo-junior/24/5b5/a33


PULVERIZADOR - COPYRIGHT 2014

Todos os direitos autorais sobre as marcas, obras ou criações de qualquer natureza disponibilizadas neste site, pertencem ao Engenheiro Agrônomo Manoel Ibrain Lobo Jr, idealizador dos sites www.pulverizador.com.br , www.scribd.com/pulverizador e www.pulverizador.blogspot.com ou a terceiros que autorizaram o uso de sua propriedade intelectual. Sendo assim, é terminantemente vedada a distribuição, representação, publicação, uso comercial e/ou utilização de tais materiais, no todo ou em parte, sem a prévia e expressa autorização do Engenheiro Agrônomo Manoel Ibrain Lobo Junior. A violação destes direitos é crime, e seu infrator está sujeito às penalidades legais previstas nas Leis 9.610/98 e 9.279/96 e no art. 184 do Código Penal Brasileiro, bem como ao pagamento de indenização pelos prejuízos causados.

07 outubro 2014

Avaliação Prática do Adjuvante Orgânico DOUBLE UP (SAGROS) no Controle da Deriva das Pulverizações.


Manoel Ibrain Lobo Junior
Engenheiro Agrônomo
Consultor em Tecnologia de Aplicação
Auditor GlobalGAP IFA
lobo@pulverizador.com.br

















O objetivo das avaliações práticas do adjuvante orgânico DOUBLE UP (SAGROS) foi classificar suas características funcionais e técnicas e o seu desempenho como condicionador de água e redutor da deriva para as pulverizações (redutor de pH, controle da espuma, sequestrante de Cátions, condutividade, espalhamento e aderência de gotas, etc) através da análise visual dos efeitos desejáveis desse produto pelo mercado agrícola do Brasil.



Informações Profissionais:

Manoel Ibrain Lobo Jr .'. é Engenheiro Agrônomo, consultor em tecnologia de aplicação de agroquímicos, ministrando cursos, treinamentos, palestras e realizando avaliações de pulverizadores autopropelidos, pulverizadores tratorizados, turbo-atomizadores e bicos de pulverização para revendas agropecuárias, cooperativas agrícolas, usinas de cana-de-açúcar e outras empresas da área agrícola.

Acesse: www.scribd.com/pulverizador

http://www.linkedin.com/pub/manoel-ibrain-lobo-junior/24/5b5/a33


PULVERIZADOR - COPYRIGHT 2014

Todos os direitos autorais sobre as marcas, obras ou criações de qualquer natureza disponibilizadas neste site, pertencem ao Engenheiro Agrônomo Manoel Ibrain Lobo Jr, idealizador dos sites www.pulverizador.com.br , www.scribd.com/pulverizador e www.pulverizador.blogspot.com ou a terceiros que autorizaram o uso de sua propriedade intelectual. Sendo assim, é terminantemente vedada a distribuição, representação, publicação, uso comercial e/ou utilização de tais materiais, no todo ou em parte, sem a prévia e expressa autorização do Engenheiro Agrônomo Manoel Ibrain Lobo Junior. A violação destes direitos é crime, e seu infrator está sujeito às penalidades legais previstas nas Leis 9.610/98 e 9.279/96 e no art. 184 do Código Penal Brasileiro, bem como ao pagamento de indenização pelos prejuízos causados.

21 setembro 2014

Tecnologia de Aplicação Aérea de Defensivos Agrícolas (Matéria Técnica: Revista Obra de Marketing).


Aplicação de Defensivos Agrícolas por Via Aérea


Entrevista concedida à Revista Obra de Marketing (Abril/2012).


Manoel Ibrain Lobo Junior
Engenheiro Agrônomo
Auditor GlobalGAP IFA
lobo@pulverizador.com.br


Revista Obra de Marketing: 1. Quais razões devem ser consideradas, pelo produtor, para optar pela aplicação de defensivo por via aérea?

Manoel Lobo: Em qualquer tratamento fitossanitário que seja necessário em qualquer cultura, os equipamentos de aplicação, sejam eles pulverizadores terrestres ou aéreos, desde que corretamente regulados, calibrados e formatados para os devidos fins, estarão trabalhando com a mesma eficiência e segurança.



Avaliação da qualidade das aplicações aéreas na cultura da soja.
Air Tractor 502 - Grupo Pinesso - Mato Grosso


Tecnicamente, não existem diferenças de resultado na eficiência do controle químico de doenças (fúngicas/bacterianas), insetos e plantas invasoras, entre os pulverizadores tratorizados (montados e de arrasto), autopropelidos e as aeronaves agrícolas, diferenciando somente o "TIMING" da aplicação, ou seja, o momento oportuno, o tempo de "fechamento" da pulverização em uma determinada área de cultura comercial.

Sempre a aeronave será muito mais rápida, pois opera normalmente a uma velocidade de 200 km/h, aplicando em baixo volume (5 a 15 litros/ha), conseguindo dessa forma um rendimento de área aplicada por hora em torno de 200 a 300 hectares tratados. Em um dia útil essa aeronave será capaz "fechar" uma área aplicada de aproximadamente 2.000 hectares tratados.



Avaliação da qualidade das aplicações aéreas na cultura da soja.
Air Tractor 502 - Agrinvest - Balsas - Maranhão


Um pulverizador autopropelido, mesmo equipado com as maiores tecnologias em eletrônica de bordo existentes no mercado e aplicando em baixos volumes (30-50 litros/ha), não conseguiria mais de 300-500 hectares por dia.



Avaliação da qualidade das aplicações de agroquímicos.
Uniport 2000 - Grupo Wehrmann - Formosa - Goiás


Analisando as informações acima, fica fácil entendermos que o avião agrícola é preferido pelos produtores em função de sua extrema rapidez no controle químico emergencial nas diferentes culturas comerciais no Brasil, normalmente implantadas em áreas extensivas, grandes propriedades.


Revista Obra de Marketing: 2. Quais os principais aspectos a serem considerados para uma boa pulverização?

Manoel Lobo: Alguns passos devem ser seguidos para uma pulverização aérea segura e eficiente:

a) Após a constatação da infestação das pragas, doenças e plantas invasoras na cultura, escolher o produto adequado para o controle químico;

b) Nas aeronaves agrícolas, formatar corretamente os atomizadores rotativos (Tela e Disco), escolher corretamente as pontas de pulverização e os tamanhos das gotas a serem produzidas, levando-se em consideração os alvos biológicos, as condições meteorológicas na área de aplicação e o produto a ser utilizado;




Tecnologia de Aplicação Aérea - Fazenda Futura
Sementes São Francisco - Nova Ubiratã - Mato Grosso


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Avaliação da qualidade das aplicações aéreas de agroquímicos.
Sementes São Francisco - Fazenda Futura - Nova Ubiratã - Mato Grosso


c) Ler atentamente o rótulo (Bula) dos produtos a serem aplicados, seguir as instruções e recomendações indicadas e aplicar sempre as doses recomendadas pela empresa fabricante do produto;

d) Sempre utilizar os equipamentos de proteção individual - EPIs (macacão de PVC, luvas e botas de borracha, óculos protetores e máscara equipada com filtro de carvão ativado);

e) Sempre regular e calibrar as aeronaves agrícolas antes do início das aplicações aéreas, avaliando o estado das mangueiras, dos bicos, válvulas anti-gotejo, atomizadores rotativos de tela e disco, dentre outros;






Monitoramento da Qualidade das Aplicações Aéreas na Cultura da Soja
AT-502 - Global - Agrinvest - Balsas - Maranhão


f) Preparar a calda de agroquímicos em local fresco e ventilado, utilizando tanques de pré-mistura com eficientes  sistemas de filtragem, sempre realizando as operações de preparo e reabastecimento das aeronaves agrícolas em locais apropriados, distantes das áreas sensíveis, objetivando proteger o solo de eventuais derramamentos de calda, evitando a contaminação;






Monitoramento da Qualidade das Aplicações Aéreas na Cultura da Laranja
Pamiro Agropecuária - Agrosema Aeroagrícola - Gavião Peixoto (SP)



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Tecnologia de Aplicação Aérea na Cultura da Laranja
Pamiro Agropecuária - Agrosema Aeroagrícola - Gavião Peixoto (SP)


g) Não beber, comer ou fumar durante os trabalhos de aplicação dos agroquímicos;

h) Evitar pulverizar nas horas mais quentes do dia, com baixa umidade relativa do ar e em condições de vento forte;

i) Não aplicar produtos próximos às áreas sensíveis (nascentes de água, riachos, lagos, outros), obedecendo as distâncias de segurança determinadas pela Legislação do Ministério da Agricultura e da Aeronáutica, ANAC, etc;

j) Sempre realizar a “Tríplice Lavagem” das embalagens dos agroquímicos utilizados;

k) Não reutilizar as embalagens vazias e sempre furar (fundo) as embalagens.


Revista Obra de Marketing: 3. Como identificar e preparar o equipamento (máquinas e implementos) mais adequado para a correta cobertura do(s) alvo(s)?

Manoel Lobo: Sempre devemos realizar uma análise visual, presencial em campo, sobre as condições meteorológicas do local das aplicações, objetivando calcular as dificuldades que as gotas a serem produzidas terão de enfrentar desde a sua liberação dos bicos até atingirem os alvos (insetos, plantas, solo, etc).



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Treinamento em Aplicação Aérea na Cultura da Cana-de-açúcar
Usina Santa Adélia - Jaboticabal - São Paulo





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Treinamento em Aplicação Aérea na Cultura da Cana-de-açúcar
Usina Santa Adélia - Interlagos - Pereira Barreto - São Paulo


Através dessa análise em campo das condições de temperatura, umidade relativa e vento, estaremos formatando os sistemas de pulverização para produzirem gotas que deverão superar essas adversidades meteorológicas, garantindo a máxima deposição de gotas (com os agroquímicos) sobre os alvos.





Aplicações Aéreas na Cultura da Banana (Miracatu - São Paulo)
Avaliação de Adjuvantes de Calda e Deposição de Gotas


Revista Obra de Marketing: 4. Quais as vantagens e desvantagens dessa opção, em relação à terrestre?

Manoel Lobo: As vantagens são os poucos danos nas culturas; a possibilidade de um controle emergencial, em situações de rápida infestação; alto rendimento operacional, chegando em casos específicos até 2.000 hectares aplicados ao dia; a possibilidade de trabalhar em áreas molhadas, encharcadas pela chuva ou orvalho.

As desvantagens são o maior risco de perdas pela deriva e evaporação, quando acontecerem (necessitarem) de aplicações emergenciais durante todo o dia, mesmo nas horas mais adversas (10:00 - 15:00); o monitoramento das regulagens e calibrações; as distribuições de gotas nas faixas de aplicação (Real e Efetiva); os obstáculos naturais e artificiais, colocando em alto risco as operações aéreas.


Revista Obra de Marketing: 5. Na aplicação aérea, pode haver danos à cultura? De quais tipos?

Manoel Lobo: Os maiores problemas de danos nas pulverizações aéreas são para as culturas próximas às áreas de aplicação, quando acontecer a deriva dos agroquímicos aplicados.

Poderão acontecer também a sobreposição da faixa de aplicação, provocando a fitotoxicidade nas culturas tratadas pela sobre-dose dos agroquímicos aplicados, ou perdas na produção da cultura tratada devido a re-infestação das doenças/insetos, devido falhas no controle, por problemas de falhas nas faixas de aplicação.






O conceituado produtor Sr. Ivan Bedin e o avião agrícola Air Tractor 502



Determinação das faixas de aplicação "Real e Efetiva" nas aplicações aéreas


Avaliação da qualidade das aplicações aéreas na cultura da soja
Avião Agrícola AT-502 - Grupo Bedin - Sorriso - Mato Grosso


Revista Obra de Marketing: 6. Existe um ou mais períodos do dia ideais para fazer a aplicação aérea? Por quê?

Manoel Lobo: As aplicações aéreas em menores (ultra e baixo) volumes (5 litros/ha a 15 litros/ha) estão limitadas às melhores condições meteorológicas do dia, ou seja, entre as 6 e 9 horas da manhã e após as 16 horas (da tarde). Aplicações aéreas utilizando volumes maiores de calda (acima de 20, 30 litros/ha) conseguirão uma maior segurança nas deposições de gotas sobre os alvos, pois poderão produzir gotas com tamanhos maiores, com mais peso, mais rápidas e com maior tempo de vida.

Atualmente existem novos bicos de pulverização (defletores, disco-difusor, etc) e avançados atomizadores de tela e de disco, que possibilitam um excelente controle dos tamanhos das gotas e, trabalhando em "simbiose" com os novos adjuvantes de calda (siliconados, glicerinados, parafinados, naturais/orgânicos, etc), possibilitam uma maior homogeneização dos tamanhos das gotas e uma super-proteção contra a evaporação, aumentando o tempo de vida dessas gotas pequenas (finas e muito finas), possibilitando atingirem os alvos rapidamente, com mínimos riscos de perdas pela deriva.



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Determinação das faixas de aplicação "Real e Efetiva" nas aplicações aéreas
Avião Agrícola Air Tractor 502 - Agrinvest - Balsas - Maranhão


No meio do dia, as temperaturas são altas (maior que 30 graus), a umidade é baixa (menor que 50%) e exite muita turbulência de vento, com fortes rajadas, dessa forma colocando em risco as aplicações aéreas, devido as possibilidades de grande evaporação das gotas (finas e muito finas) e perdas por deriva.


Revista Obra de Marketing: 7. As aplicações podem e/ou devem ser preventivas e corretivas? E em quais estágios da cultura, em cada caso?

Manoel Lobo: Particularmente, sempre recomendo aplicações (aéreas e terrestres) de inseticidas e fungicidas de maneira preventiva, objetivando manter a cultura sempre na maior sanidade possível. 




Treinamento em "Boas Práticas nas Aplicações Aéreas"
ABANORTE - Janaúba - Minas Gerais


Por parte das empresas fabricantes de agroquimicos, existem recomendações de aplicações específicas para determinados alvos, em determinados estágios fisiológicos das culturas, que são realizadas de maneria sistemática e periódica, sempre de forma preventiva. Na prática do controle químico, a aplicação de prevenção será sempre mais econômica que as aplicações curativas.


Revista Obra de Marketing: 8. As condições climáticas da região de cultivo do algodão influenciam as aplicações? De que forma? Como contornar essa influência?

Manoel Lobo: No caso das aplicações terrestres, não é possível, nem aceitável tecnicamente, um profissional especializado em tecnologia de aplicação recomendar para um grande produtor de algodão, por exemplo, que limite as suas aplicações com seus pulverizadores somente nas horas mais favoráveis do dia, com baixas temperaturas, alta umidade e sem vento.

Em uma área de por exemplo 2.000 hectares de algodão, vão acontecer cerca de 16 a 18 aplicações de diferentes tipos de agroquímicos durante todo o ciclo dessa cultura, totalizando até o final uma área aplicada de mais de 30.000 hectares.

Se esse produtor operar com apenas um pulverizador autopropelido não poderá escolher somente as melhores horas para as aplicações, pois o rendimento dos aplicadores terrestres é bem menor, porém se utilizar os serviços das aeronaves agrícolas, poderá "fechar" essa área de aplicação (2.000 ha) em até 03 (três) dias, dependendo da capacidade de carga da aeronave agrícola, volume de aplicação, dentre outros.







Determinação das Faixas de Aplicação Real e Efetiva
Air Tractor 502 - Grupo Pinesso - Mato Grosso


Revista Obra de Marketing: 9. Existem impactos diferentes nas aplicações entre regiões de Cerrado e Semi-árido?

R9: Quando falamos em aplicações aéreas, entendemos que os trabalhos serão realizados em grandes produtores, em grandes grupos agrícolas contratantes localizados em todas as regiões agrícolas do Brasil, no Centro-Oeste, no Nordeste, no Sul, dentre outras regiões. Em todas essas regiões citadas de trabalho aeroagrícola, os parâmetros meteorológicos serão sempre os mesmos para as pulverizações aéreas. No meu entender, não existem diferenças nas aplicações aéreas quando realizadas nesses grandes produtores, desde que os aparelhos aplicadores sejam adequados, corretamente regulados e calibrados.



Informações Profissionais:

Manoel Ibrain Lobo Jr .'. é Engenheiro Agrônomo, consultor em tecnologia de aplicação de agroquímicos, ministrando cursos, treinamentos, palestras e realizando avaliações de pulverizadores autopropelidos, pulverizadores tratorizados, turbo-atomizadores e bicos de pulverização para revendas agropecuárias, cooperativas agrícolas, usinas de cana-de-açúcar e outras empresas da área agrícola.

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